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Capoeira
no Contexto Escolar
Um outro fator que contribuiu muito para a
expansão da Capoeira institucionalizada foi à condição desta alternativa
apresentar-se como uma possível tentativa de cooptação e controle de uma
arte que bem poderia se insurgir de forma subversiva em alguns pontos do
território nacional, a exemplo das maltas do Rio de Janeiro e de outros
pequenos movimentos de contestação da estrutura social vigente, que tinham
na capoeira um braço de luta. Esta aceitação reestruturada da Capoeira teve
um preço alto, pois a necessidade de atender os anseios de uma classe social
dominante, enquadrou e remodelou a capoeiragem em um perfil alienador, que
em última instância analítica, desarticulava sua simbologia metodológica
revolucionária e a colocava a serviço do sistema, nos mesmos moldes do
capitalismo.
A partir desta transformação, a Capoeira
adentra pela porta dos fundos, porém com abrangência, principalmente nas
instituições particulares através do sistema “Extra-Classe” e quase nenhuma
escola pública, porém, fora do currículo escolar, motivo este pelo
desinteresse das políticas públicas educacionais, bem como, uma Lei que
viesse amparar o direito da Capoeira ser inserida nos currículos escolares,
a despeito de constituir-se numa disciplina obrigatória nos cursos de
Educação Física desde a década de 70.
O governo Federal então, atendendo aos anseios
dos movimentos voltados para os afro-descendentes, sanciona no dia 09 de
janeiro de 2003 a Lei 10.639 (11.645), que veio acrescentar novos
dispositivos à Lei de Diretrizes e Bases LDB, a saber: art.26A e art.79B. Em
que ambos determinam inserir a História e a Cultura Afro-Brasileira na grade
curricular das escolas públicas e particulares.
Não obstante, a este fato histórico, o governo
federal visando não deixar margem de dúvidas quanto a sua proteção, através
do IPHAN, passa a reconhecer em julho de 2008, a Capoeira como patrimônio
imaterial do Brasil, e seus Mestres inscritos no “Livro dos Saberes”.
Agora não há mais dúvidas, a Capoeira amparada
por Lei Federal, tem por direito e de fato que ser inserida nos currículos
escolares, embora hoje (2008), ou seja, cinco anos depois da Lei 10.639
(11.645) ter sido sancionada, simplesmente não foi cumprida. Será, que isso
tem haver com os fundamentos que alicerçaram o surgimento das escolas, ou
seja, com os resquícios discricionários pertinentes a classe dominante
brasileira, que perduraram por séculos e até hoje? ou, Essas Leis, a exemplo
das Leis do Ventre Livre, dos Sexagenários e outras afins, também são um
engôdo para calar a voz da massa defensora dos plenos direitos da raça
negra? Não se irritem, perguntar não faz mal a ninguém.
Próximo Assunto: Lei 11.645, que modifica a
Lei 10.639 e a LDB Leitura Crítico Compreensiva.
Mestre Pipoca
Profissional de Educação Física e Mestre de
Capoeira
www.escoladecapoeiragemsenzala.com.br
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