Big Four – Big One – Big Zero

Por Marcos Faria Nicodemos - Consultor Empresarial

Até quando vamos nos enganar e achar que as crises financeiras no mundo são causadas por problemas “de mercado”? Até quando vamos ter que assistir a este grande espetáculo caro e sem graça. Será que está na hora de trocarmos os artistas?

Recordemos do caso da Eron e da Parmalat quando várias foram as causas apresentadas pela falência destas empresas e logo depois vieram as soluções, ou seja, os financistas causaram, analisaram e impuseram as soluções.  Uma das soluções foi o chamado Sarbanes-Oxley, que venhamos, apesar do nome pomposo é simplesmente tudo o que as empresas deveriam estar fazendo ou fazendo com mais zelo, e a única coisa nova que pudemos constatar é que todas as instituições de controle (Sec, Fed, Big four, Fasb, Ifrs) sofreram de amnésia técnica ou ética.

Agora revivemos a mesma situação com instituições financeiras, iniciada pela Bears Stearns e seguida pela Merril Lynch, Lehman e AIG que numa soberba global chegaram a criar avaliações de economias mundiais, porém não tiveram pudor com as negociações de seus interesses, utilizando as mais diversas operações “criativas” como manter estoque de títulos podres, e supervalorizações de papéis e bens, que na realidade só serviram para os altos executivos receberem bônus, participação nos lucros e indenizações milionárias.

A empresa Home Depot pagou mais de US$ 200 milhões de indenização para que o  executivo Robert Nardeli saísse da empresa logo após tê-la deixado deficitária. As indenizações médias das maiores empresas americanas é de US$ 21 milhões.

Mais uma vez perguntamos cadê o pessoal da SEC, Fed, Big four, Fasb, Ifrs e outros, será que seremos mais uma vez surpreendidos com a esparrela do tipo “a maior empresa de auditoria externa Arthur Andersen quebrou e a punição foi suficiente!” E depois surpreendidos com a notícia de que os funcionários desta empresa foram todos para a concorrente. E aí surgirão mais procedimentos, quem sabe, talvez ”Sarbanes - Oxley II (dois)”, novas regras que não serviram para limitar a ganância de executivos inescrupulosos e empresas que não estão cumprindo o seu papel de instituições reguladoras que mais parece que trabalham para os executivos e não para o verdadeiro mercado que são os cidadãos que consomem, investem, e principalmente acreditam nos pareceres destas instituições. Espero que não tenhamos que esperar as Big four se tornarem Big one ou quem sabe Big zero.

A questão não é de mercado. A questão é de amnésia Global

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