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CANDOMBE
EM BOTAFOGO E NO
URUGUAI
Parte 2
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André
Luiz Lacé Lopes
Nessa segunda e última crônica sobre recente
viagem a Montevidéu tocaremos ainda Candombe, mas, o grande foco será mesmo
o motivo maior da nossa viagem: participar dos 3º Juegos Florales del Siglo
XXI, evento literário que congrega participantes de vários países latinos.
Experiência extremamente rica que extrapola o
âmbito do evento. Comecemos, pois, essa crônica, pelo novo Aeroporto de
Carrasco. Impossível para um brasileiro, especialmente se vivendo a longos
anos no Rio de Janeiro, não compará-lo ao nosso “Galeão”, hoje Aeroporto Tom
Jobim. Décadas atrás, não seria nenhum absurdo, ao contrário, ir ao “Galeão”
só para jantar no imponente restaurante que por lá havia. Com o tempo, a
área virou “praça de alimentação” de shopping de terceira categoria, e o
restaurante acompanhou essa “evolução”. Aliás, todo o Aeroporto, inclusive o
Terminal II, construído mais adiante.
E o que assistimos agora?
Uma reforma radical, extremamente
modernizadora, por força dos grandes eventos internacionais que se
aproximam?
Não, ao contrário do Aeroporto de Carrasco,
hoje exemplar, excelente arquitetura, confortável e eficaz, o que estamos
assistindo é uma série de obras tímidas, parecendo privilegiar mais o
comércio interno do que, realmente, o conforto do passageiro. O “nosso”
Maracanã e demais obras, que estão sendo construídas ou reconstruídas para
atender os mencionados eventos, parecem seguir a mesma cartilha. O que me
faz repetir a indagação que fiz, tempos atrás, em crônica sobre o
Pan-Americano realizado no RIO: por que não entregaram todas ou, pelo menos,
algumas obras ao extraordinário Oscar Niemeyer?
Barcelona tem vários encantos, sendo um dos
maiores as obras do arquiteto catalão Antoni Gaudi, visita obrigatória de
todo turista. O mesmo fenômeno ocorreria no RIO, como, aliás, acontece em
Niterói, Brasília e pelo mundo afora. Mundo que já deve estar se perguntando
- e, no futuro, perguntará ainda mais - por que o Rio de Janeiro, onde o
grande arquiteto reside e tem escritório, não entregou as obras do Pan
Americano, da próxima Copa do Mundo e das Olimpíadas ao grande arquiteto?
Começando pelo Aeroporto Tom Jobim!?
Bueno, voltemos a Montevidéu, mais
especificamente ao evento literário realizado de 4 a 7 de outubro. A Direção
do Movimento Cultural aBrace é exercida pelos seus dois fundadores e atuais
Diretores: Roberto Bianchi (Uruguai) e Nina Reis (Brasil). Sua fundação foi
efetivada em 1999 e seus direitos reconhecidos, simultaneamente em Brasília
e Montevidéu. Roberto e Nina fazem parceria altamente dinâmica e produtiva o
que sempre resulta em eventos intensos e extremamente gratificantes.
Dessa vez não foi diferente, quase não
sobrando tempo para cumprir programação “paralela” igualmente fascinante,
como conversar com especialistas em Candombe e Capoeira (mestres
brasileiros), visitar bibliotecas e livrarias e assistir consertos, óperas,
tangos e milongas.
Sobre o 3º Juegos Florales del Siglo XXI
tomemos como base, resumidamente, sua intensa, criativa e diversificada
programação:
Dia 2 de outubro: Salón Dourado de la
Intendência Municipal de Montevideo Festival de Poesia, aBrace Cultura,
auspícios de ORBE LIBROS:
Dia 3: Sede da aBrace. Festival de Poesia com
participação do Liceo Poético de Benidorm e outros.
Dia 4: Recepção oficial, entrega de trabalhos
para o Primeiro Concurso de Poesia Interativo da aBrace Cultura; Instituto
de Cultura Uruguayo-Brasileño, Casa de Los Escritores del Uruguay, Rincón de
los Poetas (Mercado de la Abundância).
Dia 5: Ciudad de Santa Lúcia, visita dirigida
na vinícola Filgueira e a Quinta Capurro, com apresentações líteromusicais
dos participantes e convidados especiais.
Dia 6: visita, com palestra, a Fundação Mario
Benedetti, e ao Clube de Português.
Dia 7: Anfiteatro Artigas, Ministério de
Relações Exteriores. Encerramento do evento, premiações especiais e entrega
de certificados.
O vasto e inusitado programa incluiu
lançamento de uma nova coletânea, bilíngue Juegos Florales & Jogos Florais,
Edicion Comemorativa contendo trabalhos selecionados de treze países:
Uruguai, Brasil, Argentina, México, Portugal, Peru, Espanha, Coréia,
Colômbia, Paraguai, Cuba, Porto Rico e Portugal. Incluiu, também, concurso
literário que resultou em três vencedores:
1º lugar - La casa de los aromas pseudônimo
Palas Atenea - autora Annabel Villar - (Uruguaia residente na Espanha); 2º
lugar - Canto de otoño a los mis amigos - pseudônimo Viejo lobo de mar -
autor José Manuel Solá (Porto Rico); e 3º lugar - Morro de Borel -
pseudônimo: Riña de gallo & Escobero autor André Luiz Lacé Lopes (Rio de
Janeiro-Brasil).
Como se vê, não foi fácil conseguir tempo para
programação paralela, mesmo assim, foi possível visitar a Biblioteca
Nacional do Uruguai, onde fomos fidalgamente recebidos; assistir a um
concerto no surpreendente Teatro Solis; conhecer a Sala Verdi; visitar o
Iate Clube Uruguayo, o Centro Afro-Uruguaio, o Museu do Carnaval (Candombe!),
o famoso Baar Fun-Fun (tangos!) e degustar a excelente comida do restaurante
Rara Avis, cujo padrão, hoje em dia, é difícil encontrar na Cidade
Maravilhosa.
Levei alguns livros e trouxe muito mais, além
de um terceiro lugar no concurso acima mencionado e de aumento substancial
na minha lista de novos amigos da comunidade aBrace.
Quem sabe, o Rio não sedia um evento desses?
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